Conheça a história da catarinense Giulia Arones e sua vida na maior cidade da Turquia

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Para algumas pessoas a vontade de viajar já é algo tão presente dentro da própria casa, que acaba deixando ainda maior o desejo de conhecer o mundo. Esse é o caso de Giulia Arones.

A catarinense Giulia conta que sempre foi curiosa pra saber como era a vida fora da realidade que cresceu, e muito disso é reflexo da sua própria criação.

Seu pai é peruano e sua mãe o conheceu quando foi para o Peru de carona, apenas com duas mudas de roupa e um pouco de dinheiro no bolso. Então, desde criança ela conta com essa influência viajante em casa.

 

“Sempre tive orgulho de ser metade gringa, mas só comecei a considerar viajar para mais longe quando vi uma amiga indo para a Austrália. Tudo aconteceu tão facilmente, que vi que era possível. Então, planejei uma viagem para fazer após minha formatura da faculdade.”

 

Com uma mochila e dois cursos agendados dentro do período de quatro meses, Giulia viajou pra 11 países, sozinha e com um inglês que considerava fraco. O primeiro destino na Europa foi Londres, e por duas semanas ela não falou com ninguém, porque tinha vergonha do seu inglês.

 

A Turquia entra no seu caminho

Depois de fazer um mês de curso de inglês em Londres, ela viaja para outros países da Europa, tudo decidido em cima da hora. Na França conheceu, em um hotel, seu ex-namorado, um turco. E foi assim que Giulia partiu para a Turquia pela primeira vez.

“O relacionamento não deu certo, mas eu me apaixonei pelo país, especialmente por Istambul. De Istambul fui pra Barcelona para fazer meu mestrado e de lá voltei para o Brasil. Do Brasil conheci meu noivo pela internet, que por coincidência também era de Istambul, ou seja, a Turquia estava no meu destino.”

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Atualmente, Giulia vive em Istambul com seu noivo. Eles estão morando na maior cidade da Turquia desde novembro de 2015. Ela mora no centro de Istambul, em um bairro bem histórico, conhecido pela presença de gregos, armênios, e outras minorias como Judeus, além de imigrantes africanos.

 

A programação para a mudança

“Como tudo na minha vida, faço decisões pela emoção, simplesmente sinto e faço. Quando o emocional está decidido, uso o racional para conseguir o que desejo”, conta.

Basicamente, Giulia faz tudo sozinha, com o uso da internet, fóruns, e com muita pesquisa vai encontrando o caminho mais econômico pra si, que é sempre uma das suas prioridades, já que ela não gosta de luxo e muito menos de gastar com isso.

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“Dessa vez que me mudei pra Istambul foi uma decisão de vida. Meu noivo me pediu em casamento, quando ele foi me ver no Brasil, e me chamou pra viver com ele. Então, mesmo que tenha aceitado com a emoção e de maneira impulsiva, foi um pouco mais longo o processo de aceitação dessa nova realidade, já que as consequências na minha vida e no meu futuro eram a longo prazo.”

 

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Todos os caminhos levaram a Turquia

Giulia se mudou para a Turquia porque já conhecia e amava o país, mas o que realmente lhe levou para lá foi o amor da sua vida.

Claro, se eu não amasse esse lugar, não teria vindo, mas acredito que a vida nos leva para caminhos se estamos abertos a eles, e assim eles aparecem e se encaixam na nossa vida.

Ela conta que se apaixonou pelo lugar, porque as pessoas vivem mais em comunidade e você não se sente só no mundo. Giulia montou sua casa com a ajuda de muitas pessoas.

“O pessoal veio pra carregar móveis, ajudou a limpar o apartamento, doou muitas e muitas coisas pra nós. Foi demais”, relembra.

No Brasil, especialmente no Sul, ela sente que cada vez mais as pessoas estão vivendo cada um por si, e sempre colocam como prioridade as suas necessidades. Aqui, a amizade, o respeito pela família e pessoas mais velhas são coisas muito sérias.

“Além disso, existe a cultura de sentar e conversar, e não, você não precisa de uma cervejinha. Com um chá ou café você senta e conversa”, explica.

Para Giulia, a localização geográfica, as histórias e descobertas que aconteceram em Istanbul também tornam o lugar incrível.

“Tudo isso me encanta, mas claro que existem várias diferenças negativas também”, pondera.

Segundo ela, comparando com o Sul, por exemplo, o pessoal é ainda mais malandro e as regras são dificilmente respeitadas. Mas, para ela, o ponto mais pesado é realmente a extrema separação de raças e crenças.

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“Aqui existe ódio entre as diferentes origens e religiões, e claro, a liberdade que temos no Brasil é muito maior. Aqui, a liberdade de expressão é limitada. A mulher também sofre muito mais pressão e culpa por ser mulher ou ser sexy, por exemplo. Você sente mais pressão na rua e muitas vezes as pessoas podem te julgar mais por isso.”

Inclusive, além da sua família, a liberdade é algo que Giulia sente muita falta.

“No Brasil, sempre falei e pensei tudo que queria, fiz tudo que queria, vesti tudo que queria, mesmo sofrendo muito julgamentos, mas aqui o buraco é um pouco mais fundo, então, me sinto um pouco presa. Você sente mais culpa em ser mulher e chamar a atenção, isso pesa aqui.”

 

Um novo país, um novo trabalho

Giulia conta que quando você começa a vida em um lugar novo, praticamente tudo que você construiu no seu país de origem, pelo menos 70% da sua experiência profissional e conhecimento não tem tanto valor, e você começa do zero, com 30% do que tinhas em mãos.

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Por ser designer gráfica e de interiores, ela é apaixonada por cultura, cultura histórica e contemporânea, e é sempre focada na arte, no artesanato e no belo. E no meio dessa busca, surgiu algo que realmente a encantou: uma peça de joia feita de crochê.

O presente, dado por sua mãe a fez pegar um voo para encontrar quem fazia esse trabalho.

“Perguntando e buscando encontrei quem era a responsável por tanta beleza, e comecei ali, como sempre, seguindo meu impulso, meu projeto de joias turcas.”

Como Giulia estava indo para o Brasil ver sua mãe, aproveitou e levou muitas dessas peças pra que todos pudessem ver essa arte.

“Tudo foi surgindo naturalmente e acontecendo dia apos dia até eu chegar ao Brasil, já com uma marca desenvolvida e muitas ideias”, explica.

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A marca se chama YASHÁ, e vem de uma expressão turca que significa vida longa, um desejo de vida longa.

“Essa arte tão natural para essas mulheres turcas, não pode morrer, muito pelo contrario, tem que cada vez ser mais valorizada. É um trabalho totalmente feito a mão e instintivo dessas mulheres, o qual tenho muito orgulho de representar em nosso país.”

 

Viajar para crescer

Para ela, se você é uma pessoa que não se sente conectada com o Brasil ou quer se sentir mais preparado e menos alienado dentro da sua realidade onde vive, viajar vai fazer você repensar sua vida.

“Viajar vai fazer você passar por muitas situações onde você e só você terá a responsabilidade de resolver e, principalmente, de se cuidar sozinho. Se viajar, eu indico um caminho independente, claro, se for por amor, será independente em dupla, mas tenta o caminho onde realmente você vai ter que crescer, como pessoa, profissionalmente, ou economicamente, tudo está valendo.”

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Giulia afirma que viajar não é não uma grande decisão ou algo tão extraordinário, viajar e conhecer outros lugares já faz parte da vida das pessoas, e é simplesmente mais um momento da vida onde estamos evoluindo.

“Mesmo que você não possa viajar agora ou não tenha coragem, comece a ter coragem de se questionar e conhecer o que há de diferente e vivo ao redor de onde você vive, assim você verá que cada lugar é especial e tem muito que ensinar”, finaliza.

 

Fonte: Intercâmbio de Sucesso

João Marcos

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