O brasileiro que se mudou para Budapeste em busca de suas origens

 

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Sou daqueles que defende o pensamento de que o mundo é grande demais para nos prendermos apenas nesse imenso pedaço de terra, também conhecido como Brasil. Viajar e desbravar o globo pode não ser um desejo unânime, mas é fato que se trata de uma experiência interessante e restrita apenas aos corajosos e curiosos, aqueles que não têm medo de encarar o desconhecido e nem de descobrir coisas novas, como por exemplo, a origem de sua família.

 

Dando sequência à nossa série que conta a história desses brasileiros que deixaram nosso país em busca do novo, chegamos a Budapeste. Aqui contamos a história do catarinense Fabio Panstein, designer de 31 anos que, em 2015, mudou-se de Jaraguá do Sul (interior de Santa Catarina) e mora na capital húngara há quase 5 meses.

 

Escolha

Fabio é dono da Startup DRUSE, empresa focada no design de ambientes virtuais, e a vontade de estudar coisas novas e ampliar suas fontes de inspiração o motivaram na busca pela educação fora do Brasil.

“Com minha idade e o conhecimento que já tenho, eu não estava nem um pouco disposto a pagar pelo ensino no Brasil (não estou questionando qualidade, apenas preço e no meu caso). Eu já tinha vários estímulos para tomar a decisão de vir, oportunidades de trabalho, proposta para intercambio profissional e também assuntos relacionados a minha startup.”

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Fabio deixa claro que uma questão inteiramente pessoal foi fator determinante na escolha da Hungria como seu destino.

“Não menos estimulante que isso, eu tenho uma questão pessoal também, que é de pesquisar mais e conhecer mais sobre a história e caminhos percorridos pelos meus familiares até chegarem no Brasil. Eu tenho registros de que viveram algum tempo aqui na Hungria, ou seja, tenho muita trip pela frente e vários livrões mofados de cartório para abrir.”

Com tanta coisa pesando a favor, a decisão pelo lugar foi rápida, indolor e 4 meses depois ele já estava chamando a capital húngara de casa.

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Rotina

Fabio conta com humor sobre como são seus dias em Budapeste e como eu já poderia imaginar, seu maior problema não é nem o frio ou o medo do desconhecido. A “pedra” no sapato do cara é mesmo o idioma local.

“Minha rotina ainda está meio bagunçada entre meus estudos e trabalhos por aqui. Mas o compromisso que mais exige de mim até agora é apenas com o idioma Magyar. Na verdade não é “apenas”, isso por si só já é um desafio enorme para qualquer pessoa. Lembrando as palavras de Chico Buarque: é a única língua que o diabo respeita”.

 

Diferença

De fato, uma das coisas que mais impressiona qualquer brasileiro que vá morar fora do país é a mobilidade urbana desses lugares novos, principalmente na Europa. Fabio acredita até que a de Budapeste em especial, pode ser considerada uma das melhores do mundo.

“Com a carteirinha de estudante, você paga 3000 ft (pouco mais de R$30,00) pelo ticket mensal que te dá direito a andar de trem, metrô, ônibus e tram (um tipo de metrô). O Tram é animal! Parece que a cidade foi desenhada a partir do ponto de vista e trajeto dele. É impressionante e acredito estar falando de uma das melhores mobilidades urbanas do mundo, ainda mais considerando o tamanho e idade de Budapeste. Ainda comparando com o Brasil, o que me chama a atenção é o desapego por carros da população, e olha que comparado ao brasil é extremamente barato um carro por aqui.”

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Como um bom catarinense, Fabio diz sentir falta das praias brasileiras sendo essas uma das poucas coisas que a capital húngara não consegue suprir a ele em comparação ao Brasil. Já quanto a saudade, ele nos dá uma resposta bem bacana que prefiro soltar na íntegra aqui, sem edição alguma:

Quê? Saudade? Ela se apresentou pra mim quando eu tinha 14 anos e meu pai partiu dessa para uma melhor. Esse tipo de saudade, que não tem escapatória e não depende da gente, é a mais dolorosa e difícil de conviver, né? Eu aprendi cedo isso e hoje saudade é o sentimento que mais respeito! Meu pai ficou como um guia na minha memória, um Deus dentro de mim. Isso eu agradeço sempre! Mas a saudade que é contrapartida das nossas decisões ou erros, essa vem carregada com sentimentos ruins e atrapalham muito. Desgosto, arrependimento, angústia… To fora mermão, modestamente te digo que estou ‘bem’, no momento estou livre
dessa saudade e concentrado no amanhã”.

Fonte: Intercâmbio de Sucesso

João Marcos

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