Os desafios da Liderança: Líder Super-Herói ou Engajador?

Os desafios da Liderança: Líder Super-Herói ou Engajador?

Quantas vezes você se perguntou ou presenciou um grupo discutindo por horas qual o melhor estilo de Liderança?

Quantas vezes você teve a oportunidade de presenciar líderes se comportando como verdadeiros “super-heróis”? Seguindo seus objetivos e metas a todo custo, por vezes, se esquecendo da possibilidade de pedir ajuda aos companheiros de time para aliviar o peso nas decisões e desafios?

Apesar das grandes inovações em tecnologias, produtos e serviços, que facilitam o nosso dia a dia e nos traz tantos benefícios em prol de uma sociedade mais colaborativa, não vemos grandes avanços nas discussões e entendimento do real papel do líder em organizações que precisam gerar resultados sustentáveis e engajar seus colaboradores.

Para compreender melhor esse cenário e começar a nos aproximar de uma cultura onde os líderes possam ser facilitadores do processo em suas equipes por meio de colaboração e engajamento, quero começar falando sobre a Experiência de Hawthorne. Já ouviram falar?

Realizada na Chicago de 1927, pelo National Research Council – nos Estados Unidos, em uma fábrica da Western Electric Company, tinha como objetivo determinar o impacto das condições de trabalho na produtividade dos funcionários.

Nesse contexto, a produtividade foi medida usando como base a intensidade da iluminação no ambiente de trabalho x eficiência de um grupo de operárias que montavam interruptores de telefone. A tese era que aumentando a luminosidade, naturalmente haveria aumento na produtividade. Não era foco da empresa em maximizar a produção, mas realizar um estudo sobre o comportamento de seus colaboradores. (MAYO, 1933).

Coordenada pelo pesquisador Elton Mayo, as operárias foram divididas em dois grupos:

O grupo 1 foi alocado em ambiente sob intensidade de luz variável, enquanto o grupo 2 foi encaminhado a uma sala com controle de intensidade constante.

Para surpresa dos pesquisadores, tanto no grupo onde a iluminação sofreu variação de intensidade, quanto no grupo que trabalhou com controle de iluminação constante, registrouse aumento na produtividade.

Numa segunda etapa, a sala experimental teve sua iluminação reduzida, esperando-se uma queda na produção. Porém, novamente os pesquisadores foram surpreendidos com o aumento da produtividade. Após esse resultado inesperado, outras etapas tiveram de ser inseridas na pesquisa, tais como: mudanças de horário do grupo, carga horária e entrevistas.

Em conclusão ao experimento, a equipe de pesquisadores entendeu que o aumento de produtividade se deu pela motivação das operárias em receber atenção e pelo ambiente “divertido”, devido à movimentação atípica dentro da fábrica e supervisão branda do que pelo controle da iluminação.

Esse caso nos mostra claramente que antes de tudo, um dos mais importantes aspectos da liderança é a presença. Juntamente com a capacidade de se colocar no lugar de seus colaboradores por meio de uma relação clara e construtiva para ambos.

Nesse sentido, o termo mais objetivo para denominarmos esse perfil é a empatia. Sua habilidade de valorizar e reconhecer as relações sociais. Isto é, influenciar positivamente a todos ao seu redor.

O grande desafio é conhecer a equipe e seus pares. Mesmo que as cobranças, competitividade, diferenças de valores e correria do dia a dia nos tire desse foco.

Para isso, é imprescindível conhecer novas tendências comportamentais, processos de colaboração, redes e conexão com os estilos de trabalho das gerações “Y” e “Z”, para filtrar o que é talento e potencial e reconhecer que atritos não produzem apenas resultados negativos, mas uma grande possibilidade de aprendizagem coletiva.

A seguir, algumas ações possíveis para que a liderança não perca a empatia de vista:

Possibilidades para liderar com empatia: 

  • Ter visão sistêmica da organização
  • Ser agente de mudança e colaborar para a mudança
  • Reconhecer e potencializar os pontos positivos das diferentes gerações.
  • Pautar o trabalho na perspectiva: Potencialidades + Ação = Transformação. 
  • Conhecer os colaboradores e sua percepção do ambiente
  • Resolver conflitos comportamentais

Apesar de ser uma nova cultura em processo de construção, algumas organizações já se colocam num outro patamar quando o assunto é liderança e colaboração. Possuem um entendimento que os desafios do passado em nada se igualam aos desafios presentes e os que virão. Compreendem que quanto mais engajador for o estilo da liderança, mais resultados quantitativos e qualitativos as organizações terão de forma mais sustentável.

Como podemos perceber, esse cenário não nos aponta para um “super-herói” na posição de líder. Em nada tem a ver com uma figura que consegue, sozinho, resolver todos os desafios. Muito menos que terá todas as respostas na ponta da língua a cada questionamento.

Nos mostra que é fundamental que, “se colocar no lugar do outro” é papel desse novo líder, que prioriza a sustentabilidade das relações dentro e fora das organizações, disseminando uma cultura de mudança e o engajamento de seu time.

Adriano Freitas

Adriano Freitas

Especialista em Psicologia Clínica, Formação e Especialização Clínica em Análise Bioenergética – IABSP – Instituto de Análise Bioenergética de São Paulo, Titulação Internacional Certified Bioenergetic Therapist (IIBA/CBT) International Institutte for Bioenergetic Analysis – Nova York. Certified: Creative Minds com Leon Tsao – IBM Digital Design Lab – New York – USA, Design Thinking for Understanding Clients & Communities com Kristina Drury – Centre for Social Innovation – New York – USA, Business Model Generation, The Canvas com Stephen Walton – Dumbo Startup Lab – New York – USA, Inside The Art of Visual Storytelling com Carl Potts – Marvel Entertainment – New York – USA. Certificação – Consultor DISC – ETALENT. Sócio-Fundador da UAI Conexão & Aprendizagem, consultoria especializada em Educação Corporativa. São 16 anos de experiência, com carreira desenvolvida em grandes empresas. Palestrante com ampla experiência na construção e customização de programas de treinamentos e desenvolvimento com bases comportamentais. Especialista em Jogos Cooperativos e atividades vivenciais Outdoor. Consultor organizacional especialista em gestão estratégica de pessoas e implementação de programas de capacitação orientados a resultados. Membro do International Institutte for Bioenergetic Analysis – IIBA – Nova York.

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