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Tecnologia, Direito e Propósito – Entenda o futuro das profissões.

Antes de adentrar ao tema, gostaria que você respondesse a si mesmo a qual área você se identifica mais? Exatas? Humanas? Biológicas?

Pois bem, e se eu lhe dissesse que dentro de aproximadamente 20 anos esta pergunta não fará nenhum sentido nos bancos escolares?

Segundo estudo publicado em 2013 pelos pesquisadores Carl Frey e Michael A. Osborne da Universidade de Oxford, no Reino Unido, cerca de 47% dos empregos atuais tem a possibilidade de serem automatizados em 20 anos.

E esta automatização não abrange somente as atividades mais simples e repetitivas. O avanço da tecnologia tem “ameaçado” cada vez mais profissões que requerem skills mais complexos.

Baseados nesta pesquisa, o desenvolvedor inglês Mubashar Iqbal e o designer Dimitar Raykov criaram a plataforma “Will robots take my job?” ou “Os Robôs tomarão meu emprego?” em tradução livre.

Esta plataforma mostra a probabilidade de um emprego ser automatizado, bem como os seus dados, risco de automatização, chances de crescimento e salário médio anual.

A profissão de motorista, por exemplo, tem 98% de chance de ser automatizada segundo a plataforma:

https://willrobotstakemyjob.com/53-3031-driversales-workers

Frey também analisou mais de 700 empregos com salário superior a 40 mil libras anuais para identificar quais profissões de médio/alto padrão poderiam ser automatizadas neste período e obteve o seguinte resultado:

https://www.bbc.com/portuguese/curiosidades-38979057

O que isso significa?

Significa que, mais do que conhecimento técnico, o profissional do futuro (não tão distante assim) deverá ter habilidades que uma máquina dificilmente poderá desenvolver.

A WEF (Word Economic Forum) relacionou 10 soft skills que o profissional do futuro deve ter/desenvolver para não ser deixado para traz diante de tamanho avanço tecnológico, são eles:

  • Resolução de problemas complexos
  • Pensamento crítico
  • Criatividade
  • Gestão de pessoas
  • Coordenação com os outros
  • Inteligência emocional
  • Julgamento e tomada de decisões
  • Orientação ao serviço
  • Negociação
  • Flexibilidade cognitiva

 

https://www.weforum.org/agenda/2016/01/the-10-skills-you-need-to-thrive-in-the-fourth-industrial-revolution/

Vejamos que não se fala mais em conhecimento avançado em matemática, física ou biologia, mas as habilidades requeridas são basicamente comportamentais.

Isto não significa que o conhecimento técnico deve ser negligenciado, mas sim otimizado para a tomada de decisões.

Por exemplo, se você é um diretor de uma empresa e recebe determinado relatório com dados financeiros, o seu conhecimento técnico em determinada área será extremamente relevante para a tomada de uma decisão.

Para demitir determinado número de funcionários ou lançar um produto no mercado é sim necessário conhecimento em matemática financeira, por exemplo.

Os cálculos, a máquina poderá fazer, entretanto, o juízo de valor e a análise prática por ora é feito somente pelo ser humano.

Mas Juliana, se o exercício da advocacia não está tão ameaçado assim por que me preocupar?

Nós operadores do Direito sabemos bem que esta é uma das graduações com forma de ensino mais tradicional, não só no Brasil, mas no mundo inteiro.

E que os bancos de faculdade não preparam o aluno para este novo mercado que vem por aí.

Analisando a grade curricular de grande parte das faculdades de Direito do país verificamos que nenhuma, ou quase nenhuma disciplina ensina ou engaja o aluno a desenvolver as competências tratadas agora a pouco.

E agora? Largo tudo? Vou viver da minha arte?

A resposta é não! A graduação formal foi e felizmente ou infelizmente ainda será uma forma importante para a qualificação do profissional do Direito, entretanto devemos pensar em novos modelos voltados a esta nova realidade do mercado.

O profissional atual não tem mais tempo para passar dois, três, cinco anos aprendendo um conteúdo basicamente teórico, que muitas vezes não serão utilizados, ou ao final do processo já estarão defasados.

Cada vez mais será exigido do profissional do Direito aprendizado constante, interdisciplinaridade e resiliência, bem como o diploma de graduação deixará de ser diferencial para ser pressuposto.

O futuro da profissão estará intimamente ligado a quem você é, quais habilidades desenvolveu e por qual motivo você estará fazendo aquilo.

Existe uma palavra de origem japonesa chamada Ikigai, que significa “razão de ser”. Ou seja, além de algo ser bem feito, deve ter uma importância ou significado muito claro para você. Esta palavra é muito bem representada na imagem a seguir:

https://capitalsocial.cnt.br/ikigai/

Cada vez mais saber o que preenche os círculos da imagem acima será intimamente ligado à realização pessoal e profissionalmente.

Atualmente já existem diversos profissionais que auxiliam neste planejamento de carreira com o encontro do “sentido”.

Dificilmente as habilidades requeridas para o profissional do futuro serão evidenciadas se este estiver em uma carreira que não preencha os requisitos do seu Ikigai.

 

Autor(a): Juliana de Jesus Cunha Chiose

Produtora de conteúdos jurídicos na JuridiEduc, advogada educacional na Covac Sociedade de Advogados, formada em Direito pela FMU, pós-graduada em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito, cursando MBA Global Business Experience com Especialização em Finanças e Controladoria pela SEDA Executive Education Brasil | Dublin e Especialização em Direito Corporativo e Compliance pela EPD.

Artigo enviado por uma de nossas alunas do MBA.

 

Redação Mba Seda

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