Teoria “U” – Um caminho para a liderança transformadora

Teoria “U” – Um caminho para a liderança transformadora

Vivemos um tempo que a todo momento nos convoca a reinventarmos nosso modus operandi nas esferas pessoal e profissional. Um mundo veloz, complexo e conectado que demanda novos olhares e novas competências individuais e coletivas para criarmos um modelo de sociedade mais justa e sustentável.

A era do patriarcado, pautada em sistemas hierárquicos, competição, domínio pela força física ou econômica vai dando lugar a novos paradigmas, como as redes colaborativas, as estruturas horizontais de trabalho e uma dinâmica para a tomada de decisões que integra o pensamento lógico à intuição, o sentir e o agir, o introspectar para planejar.

De um modelo rígido, pautado na dinâmica poder-controle, vamos avançando para um lugar mais fluído, dinâmico e interconectado.

Um caminho para nos adaptarmos à volatilidade das demandas atuais, que não dialogam mais com estruturas cristalizadas, tampouco com uma lógica exclusivamente racional que não abarca a tamanha complexidade que vivemos hoje. Não há mais espaço para fórmulas prontas.

Frente a esse contexto, surgem novas metodologias e ferramentas que, a partir de uma visão ampliada do ser humano e da sua relação com o meio, permitem que surjam novas formas de liderar mudanças.

A teoria “U”, idealizada por Otto Scharmer, economista americano e professor do Massachusetts Institute of Technology (MIT) vem com uma possível resposta à criação de soluções para nossos problemas atuais.

A proposta de Scharmer prevê sete qualidades de liderança que podem ser aplicadas a qualquer situação-problema.

Cada qualidade vai abrindo espaço para a próxima, passando por um ciclo, ilustrado na letra “U”, que simbolicamente significa um caminho da superfície ao profundo, passando por um ponto de inflexão, a partir do qual emerge o novo. São elas:

 – Conecte-se: abra sua percepção ao entorno. Ouça a si, ao outro, ao ambiente;

 – Observe: onde estiver, esteja com a mente aberta. Vá além dos seus próprios paradigmas e abra-se com coragem e consciência para o que é  diferente do que você já conhece ou acredita;

 – Sinta: conecte-se com a dimensão do sentir, das percepções que vem pelo coração, não pela mente que julga e exclui;

 – Esteja presente: contate seu “eu” e sua vontade mais profundos. Presença vem pela quietude, pelo processo de silenciar o excesso de ruídos da mente;

 – Cristalize: acesse o poder da intenção. Materialize novas propostas, a partir de novos olhares, e conecte pessoas;

 – Prototipe: integre o pensar, o sentir e o fazer. Crie espaços para experienciar o novo, para testar as novas percepções e modelos;

 – Performe: crie um novo futuro.

Assim, por meio dessa jornada, é possível vencer três grandes barreiras à inovação e à mudança: a acomodação em modelos confortáveis e conhecidos, a falta de diálogo por conta dos pré-julgamentos e resistências ao diferente e, por consequência, a falta de criatividade.

A partir dessa perspectiva mais abrangente, o líder é convidado a perceber-se e abrir-se para além das suas convicções limitantes. Assim, há a possibilidade de um diálogo empático com os membros da equipe e da construção de algo realmente novo. O conhecimento que reside em cada um tem espaço para se expressar e compor um projeto, trazendo à tona a força do coletivo e não a perspectiva de quem tem a opinião mais forte ou a coloca com mais convicção.

Fico entusiasmado com as possibilidades que a Teoria “U” e sua aplicação podem oferecer ao universo das organizações, mas dois pontos chamam minha atenção:

 – Esse tipo de abordagem demanda uma cultura organizacional que crie um modo de ser e pensar o mundo a partir da ótica da colaboração, da abertura interior e curiosidade pelo diferente. Um ambiente de confiança e respeito mútuos;

 – Há de se desenvolver a capacidade de assumir um lugar de vulnerabilidade, do não controle, para embarcar neste tipo de proposta, o que a meu ver representa um grande desafio ao nosso modo de agir atual. Precisamos caminhar para um lugar de desconstrução e desapego.

Finalizo o artigo com um convite ao caro leitor: que tal experienciar os princípios da Teoria “U” na resolução de questões envolvendo sua família, suas relações, e, claro, sua organização?  Escolha uma questão, forme um grupo de diálogo e bom trabalho.

Há um novo e estimulante mundo de possibilidades que está se abrindo para você poder reinventar sua forma de liderar.

Por isso, lembre-se: mente aberta, coração aberto, vontade aberta.

Que tal dar o primeiro passo?

 

Para saber mais:

Teoria “U” – Como liderar pela percepção e realização do futuro emergente

  1. Otto Scharmer

Editora Campus Elsevier

Presenceinstitute.com

Luciano Maresca

Luciano Maresca

Especialista em Marketing (PUC-SP), pós-graduado em Semiótica Psicanalítica (PUC-SP) e Psicologia Social das Organizações (Sedes SP), Administrador de Empresas. Dedicou 15 anos à vida executiva e empreendedora, na área de marketing e comunicação, onde atuou em projetos ligados às áreas de branding, sustentabilidade e desenvolvimento organizacional. Hoje atua como consultor e terapeuta, apoiando pessoas e organizações em processos de mudança e desenvolvimento. Possui formação em Coaching Psico-Orgânico (IBCP – Instituto Brasileiro de Psicanálise e Instituto Andaraluz – França) e Terapeuta Psico-orgânico pela Cebrafapo em associação à EFAPO – Ecole Francaise d´Analyse Psycho-organique – França (em formação).Adicionalmente, atua como diretor de marketing e comunicação no Instituto Reciclar desde 2010. A ONG empodera jovens para empreender na própria vida, no trabalho e na comunidade e foi indicada pelo Pacto Global das Nações Unidas como instituição referência no mundo.

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